Fazemos aqui um apontamento geral sobre o que se espera em termos de previsões que respeitam ao mercado imobiliário para o ultimo trimestre de 2020 e para o arranque do ano 2021 em Portugal.

A instabilidade é global, especialistas do mercado assumem de uma forma geral que há muitas dúvidas relativamente ao desempenho do setor imobiliário mas não antecipam descidas significativas dos preços, pelo menos, para já. Tudo irá depender do tempo de duração da pandemia, do comportamento das pessoas e das instituições face à situação pandémica em Portugal e também ao impacto dos vários fatores macrossociais e económicos que irão pressionar ou não algumas decisões nas famílias e das empresas. O número de transações esse continua a cair e a tendência poderá manter-se para já, dada a instabilidade generalizada.

Preço dos imóveis:

A construção de novas habitações, em Portugal, revitalizou-se bastante tarde, face à rápida recuperação económica e ao rápido crescimento imobiliário após a crise de 2008. De facto, o número de novas habitações foi residual e a procura continuava acima da oferta no 1º trimestre de 2020, por este motivo, o fator preço não sofreu uma grande queda, dado que mantínhamos uma continuada falta de imóveis no mercado, face à procura, o que manteve os preços numa tendência “em alta”.

O facto de muitos dos novos projetos/empreendimentos (novas construções) ainda não estarem finalizadas na data em que surgiu esta pandemia, foi também um fator fundamental para que o preço se tivesse mantido nos mesmos níveis e sobre o qual não se registaram ainda grandes quedas generalizadas. Apenas alguns produtos estão agora a sofrer um ajustamento, na sua maioria imóveis que já se encontravam com preços acima do valor pago /procurado, mesmo antes da pandemia.

O mercado de uma forma geral os compradores esperavam que os preços dos imóveis iam cair, mas o primeiro semestre não revelou esta realidade. “Quem está comprador estaria à espera de grandes descontos”, o que acabou por não acontecer nos primeiros meses deste ano, salientou ao Doutor Finanças, Ricardo Guimarães, diretor da Confidencial Imobiliário, empresa que agrega uma série de dados estatísticos do mercado imobiliário.

Gonçalo Nascimento Rodrigues, fundador do blog Out of the Box, especializado no mercado imobiliário estima que uma queda de preços “só lá para o segundo semestre de 2021”, devido aos apoios às empresas e famílias que tendem a adiar o impacto da conjuntura na vida das pessoas.

Segundo os dados já divulgados por vários agentes do mercado (Confidencial Imobiliário, Imovirtual e CASAFARI), os preços dos imóveis vendidos e anunciados aumentaram até junho, já os valores das rendas estão a diminuir, um comportamento que para os especialistas é previsível. Ricardo Guimarães defende que “as rendas já estão a descer”, sendo “muito mais fácil descer as rendas do que o preço de um imóvel”, porque num caso é algo temporário e no outro é algo que se perpetua pelo tempo.

Juros sobre o crédito à habitação:

A tendência expectável é que os juros se mantenham baixos. O BCE (Banco Central Europeu) não prevê aumentos de taxas nos próximos meses e isso reflete-se também nas medidas adotadas face à crise sanitária atual.

O momento ainda é favorável para quem pretende aceder a crédito a habitação, uma vez que os “spreads” se mantêm de uma forma geral em níveis próximos aos pré-pandemia, no entanto, vários bancos já adotaram algumas medidas de restrição de forma a garantirem um menor risco e por isso antecipa-se uma manutenção das condições de concessão de novos financiamentos para a compra de casa.

Mudança de paradigma na procura de imóveis:

A pandemia e em especial o período de confinamento vieram alterar por completo a forma como as famílias partilham as divisões da sua casa e a necessidade de novos espaços dentro da habitação. Estas alterações refletiram-se na procura de casa, sendo que neste momento as famílias portuguesas estão tendencialmente a preferir adquirir habitações nas zonas periféricas que lhes permitam ter mais espaço exterior. Aumentou exponencialmente a procura de moradias e habitações com terraços de grandes dimensões.

Existe agora uma maior preferência por imóveis com espaço para escritório e zona exterior como varandas e terraços. O trabalho remoto e a alteração da vida e do quotidiano das famílias irá ditar a tendência na procura de casa, sendo que antecipamos já uma maior predisposição para a troca de casa dos meios urbanos para a periferia.

Retorno dos turistas e do Investimento Externo:

A ideia geral é que o imobiliário não vai deixar de ser um ativo atrativo para os investidores, poderão existir no entanto alguns projetos adiados ou investimentos congelados, que aguardam uma maior estabilidade do mercado face à atual situação pandémica , mas o imobiliário como em todas as crises irá ajudar e recuperar o interesse externo que deverá ganhar nova força logo que esteja mais estável e os investidores se sintam mais confiantes. A atual situação também poderá ser benéfica para esses mesmo investidores, dependendo do número de meses e do desenrolar desta crise sanitária global, pois ainda nos encontramos numa fase muito dependente das várias regras sanitárias impostas , que ao ser prolongada pode baixar o preço dos imóveis, sendo que os investidores podem estar tendencialmente a empurrar a decisão de investimento, na expectativa de conseguirem ainda melhores negócios.

Conforme apura a Cushman & Wakefieldhá cerca de sete mil milhões de euros disponíveis para investir no mercado nacional, de acordo com um inquérito realizado entre os dias 6 e 17 de maio a 53 investidores e cujas conclusões foram publicadas no dia 6 de julho.

A K-Invest continuará atenta e a avaliar a situação do mercado imobiliário na expectativa de continuar a bem informar os seus parceiros e clientes.